domingo, julho 22, 2012

O magnífico Gerês

Pronta para começar a viagem na estação CP do Entroncamento. No dia de regresso, vinha com mais uma grande broa de milho branco em cima do tapete e da tenda.

Primeiro dia de caminhada...uma brincadeira de crianças comparando com o segundo dia :P


A barragem que Salazar mandou construir em 1971 e que deixou debaixo de água a aldeia de Vilarinho da Furna. Um fofinho este Salazar. O wikipedia não explica o porquê, mas contaram-me a teoria.


E isto não é uma barragenzinha. É enorme.




Cabras, muitas cabras. Cornos, muitos cornos. E grandes.

Lá em cima, o Bom Jesus das Mós.
Segundo dia de caminhada...esta é que foi a sério. Já não me lembro quantos kilómetros, mas na maior parte do dia foi sempre a subir. Os meus gémeos parecem os de um jogador de futebol :)



Uma paragem a meio para uma explicação.


Vaquinhas! Nunca andei tanto para ver vaquinhas. Mas eram lindas. Infelizmente, ainda só tenho esta foto comigo.

Numa lagoa bonita (também ainda só tenho esta foto)

Alguma bicharada mais pequenina...


Perto da aldeia submersa.



Vá-se lá entender, mas as fotografias que eu tirei com o telemóvel, apesar de devidamente posicionadas no pc, o blogger assume a forma inicial em que foram tiradas. palerma.


Uma das componentes do voluntariado...recolha de lixo. Fosca-se, ainda há tantas bestas de duas patas que ainda não perceberam onde é que se põe o lixo. Não aprenderam nada com o Gervásio???
Virar pescoço para a direita para visualizar imagens.



A minha caríssima colega de voluntariado.




Estive muito tempo junto deste pequeno riacho, só concentrada no som da natureza e dos meus pensamentos...mais nada.

sábado, julho 21, 2012

Às vezes

Às vezes olho para este blog e penso se não seria mais prudente estar sossegadinha sem estar para aqui a expôr uma percentagem, ainda que pequena, mas significativa da minha vida. Às vezes pergunto-me se tomo cuidado suficiente com as coisas que escrevo, se não me exponho demasiado. Tento constantemente não me esquecer de que não são só pessoas fixes que vêm aqui à barraquinha, sobretudo pessoas de quem gosto e que, por algum motivo, não me estão próximas e que eu utilizo esta forma para as aproximar, porque sei que de vez em quando cá param. Mas parece que sinto falta de pôr a escrita em dia, de partilhar as minhas opiniões, a minha forma de estar. É um bocado egoísta, mas muitas vezes sinto falta de extravazar o que me vai na mente, que não seja demasiado íntimo que só exponha a quem é de confiança, mas que também não faça sentido andar a berrar aos sete ventos. Éh...tretas.

quinta-feira, julho 19, 2012

De volta do Gerês

Ainda não reuni as fotografias todas, mas em breve quero também publicá-las aqui.
Não sei até que ponto é que elas retratam a real beleza do sítio, tão pouco a minha sensação quando lá estive, mas sempre são um reflexo.
Desde que vim, tenho estado a readaptar-me. Quando cheguei do Reino Unido, tive a mesma sensação de ressaca - "acabei de chegar mas quero voltar já!". Desta vez, tenho o mesmo sentimento, mas em relação ao meu país, o que me orgulha. E também já percebi que esta sensação de ressaca é temporária, o reajustamento tem que haver e uma mudança a longo prazo não pode (ou não deve) ser feita do pé para a mão.

Isto de ter voltado a casa e ter percebido que andaram uns sacanas a roubar os fios da fibra óptica aqui da minha zona e ter estado estes três dias sem telefone, televisão e internet (esta última fez-me uma ligeira falta) é que não estava à espera.

Vinha eu toda poética, destilar aqui uma prosa sobre a minha paixão pela natureza e agora passou a janela de oportunidade. Mas quando reunir as fotografias, a inspiração talvez regresse.

O que eu sei é que estes poucos dias no Gerês permitiram-me um certo distanciamento da realidade que me fez esquecer temporariamente a frustração por não conseguir um emprego decente e ajustado à minha formação, as maleitas familiares, o dinheiro, o material, o acessório. Foquei-me só em deslumbrar-me com a paisagem, ouvir a água a dançar pelas pedras, observar os alfaiates, as borboletas e as lagartixas e aproveitar as caminhadas e os passeios de bicicleta. Vim de lá ainda mais apaixonada pelo ambiente, pelo respeito à Natureza. Até aqui, eu era uma observadora de arte amadora, dizendo "sim senhor, é bonito, há que preservar". Agora, já sinto que estou mais envolvida...Não basta ficar-me por aí, tenho que me envolver mais e levar outros a envolverem-se.

Este flagelo de incêndios que está agora a ocorrer faz-me pensar que tenho mesmo que tentar pôr a malta abrantina a mexer-se, malta que tem vontade, mas que também não sabe por onde começar.
Portanto, esta é uma das coisas que me ocupa agora a mente...Mas está longe de ser a única.

terça-feira, julho 10, 2012

segunda-feira, julho 09, 2012

Autonomia e coragem

O facto de ser filha única e ter nascido com pipi no seio de uma cultura judaico-cristã faz com que por vezes me depare com algumas barreiras supostamente protectoras que me fazem questionar se de facto estas me protegem, ou se, pelo contrário, me restringem a autonomia e força.
Felizmente tive uma educação relativamente balançada no que diz respeito ao que podia e não podia fazer. Mas isso é porque eu nasci da minha mãe e não da minha avó, caso contrário a história teria outro rumo completamente diferente. Em todo o caso, e agradecendo a liberdade que me foram dando progressivamente, ainda assim, é com alguma estranheza e, no caso da minha avó, com completa desaprovação, que sou recebida quando digo coisas tão simples como "vou andar de bicicleta e vou sozinha", "vou para Lisboa e vou sozinha", "vou para o Porto e vou sozinha". Quando disse "vou trabalhar para Paris e vou sozinha", então aí é que caiu o Carmo e a Trindade para a minha avó.
Desta vez, não lhe vou dizer o que vou fazer depois de amanhã, porque vai ser a mesma fita. Esta terça-feira vou, sozinha, para o Gerês para fazer vigilância florestal. Levo comigo a bicicleta, tenda, saco-cama e mochila e vou de regional (porque é o único comboio de longo curso que permite o transporte de biclas) e urbano. Melhor dizendo, vou de três regionais e dois urbanos. Saio às 7h20 de Abrantes e chego a Braga às 15h. Vai ser uma aventura, vai, pode ter algumas desventuras pelo meio, pode, mas eu vou à mesma.


Este fim de semana, como que a estrear as minhas capacidades, levei a bicicleta no comboio para Lisboa e andei com ela fora das zonas habituais. Percorri a linha azul, amarela e vermelha do metro mais do que uma vez, andei pelo jardim da Quinta das Conchas, por Benfica e pelo Parque das Nações e, tirando as manhas habituais com as mudanças, ela portou-se bem...e eu também. Se eu tivesse dito isto à minha avó, a mulher já ficava com menos uma semana de vida. E podeis pensar que as avós são todas assim, que não é para ligar. A diferença é que a maioria das avós não tem o poder ou influência que a minha tem (cada vez menos, para seu grande pesar e para minha rica sanidade mental).

Isto tudo para dizer que muitas vezes são os outros, e por consequência, nós próprios que criamos obstáculos que na verdade nem existem e que, quando ultrapassados, dão-nos um tremendo gozo e fortalecem-nos física e psicologicamente. E eu cheguei a esta conclusão hoje por um motivo em particular que me faz ficar orgulhosa de mim própria.

Quando cheguei a Abrantes, fui à Sportzone comprar um suporte para a bicicleta e, enquanto o moço estava a montá-lo, decidi ir ver de uma mochila e de uma parte de baixo de um bikini. Nisto, por entre as várias prateleiras e expositores da loja, vejo, a alguns metros, uma cabeça a olhar para mim. Era uma cabeça de um homem que eu conheci quando tinha 14 anos e que deve estar com os seus 50 anos de idade. Já falei dele aqui. É um tipo a quem eu alcunhei de Pedófilo. Não que o seja, mas eu decidi chamar-lhe isso, porque este fulano, casado e com dois filhos mais novos que eu, decidiu assediar-me quando eu era mais garota. Nada de grave, felizmente. Apenas mensagens, toques e apitadelas de carro, que eu fui ignorando até que ele parou. Mas o interessante de hoje não foi tê-lo encontrado, foi a forma como eu lidei com ele. Porque volta não volta eu cruzo-me com o Pedófilo (o Pingo Doce então parece ser o local fatídico) e lido com ele quase sempre da mesma forma. Vejo-o e depois ignoro-o, mas imediatamente sinto-me incomodada com a presença do tipo, sobretudo porque o vejo com a mulher e questiono-me se ela conhece a peça que tem em casa.
Mas hoje agi de maneira diferente. Ele estava a meio caminho entre o sítio das mochilas e o sítio dos bikinis, maneira que eu passei-lhe mesmo rente ao nariz e quando já estava mais próxima, olhei-o fixamente nos olhos e devolvi-lhe um olhar mixado de asco e desprezo. A mensagem foi algo como "Sim, ainda me lembro de si e sim, você continua a enojar-me". Como a mensagem chegou ao receptor, não sei nem me interessa. O que me interessa é que o enfrentei e já não precisei de me sentir incomodada com a presença dele, porque já lhe tinha dado a mensagem que queria e marcado a minha posição.

E o que é que o enfrentar o Pedófilo tem a ver com as minhas aventuras de bicicleta? Tudo.
É como deixar um miúdo brincar na lama. Ou deixá-lo cair e levantar-se sozinho. É como perguntar "porque é que achas isso?" em vez de dar logo uma resposta.
A liberdade faz com que eu tenha mais autonomia. A autonomia faz com que eu tenha mais coragem, mais força, menos bloqueios.

terça-feira, julho 03, 2012

Puta


Já tinha saudades do verão...






Leiloes.net - Conta suspensa - limite de crédito ultrapassado

« Caro/a Carolina M.,

A sua conta no Leiloes.net encontra-se temporariamente suspensa porque excedeu o limite de crédito permitido para o seu registo.

O seu saldo de conta é: -€ 0,87

Para reactivar o acesso é necessário regularizar o saldo.
Por favor utilize este link para aceder à página de pagamentos:

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Recorde que deverá fazer Login primeiro.

Com os melhores cumprimentos,
A equipa do Leiloes.net
02.07.2012 06:15:20 »

Leilões.net...andei eu aqui a falar bem do vosso serviço e é assim que me recompensam? Transformando um serviço que era gratuito num serviço pago, com regras manhosas?

Bardamerda pa vocês...A conta não vai ficar suspensa, vai mesmo ser desactivada. Se tenho que estar a pagar para vender, para isso vou vender para as feiras da ladra. Ou vou para outro site. Fogo, até vocês chulam a malta!

domingo, julho 01, 2012

Um dia...

...talvez tenha coragem para fazer algo parecido com isto.

Cuspidela metafórica

Costuma-se dizer que quando se cospe para o ar, normalmente a cuspidela cai-nos em cima. E isto confirma-se com bastante regularidade.

Esta sexta-feira (yeee) fui à Aldeia do Mato com a Lulu e às tantas ela diz-me: "Epá, aquele homem está ali com um bruto escaldão nas costas...", ao que eu respondo: "Opá, estas pessoas...sabem perfeitamente que a esta hora os raios UV estão fortíssimos e não tomam precauções. Até parece que nunca ouviram falar em coisas como o cancro da pele..."

De notar que eu de facto besuntei-me com protector solar, mas desta vez em vez de me besuntar antes de sair de casa, como é habitual, besuntei-me em cima da hora e, para ajudar, há sítios em que eu me esqueço de passar o protector ou então não passo o suficiente.
É quase como estar a reviver os velhos tempos em que era eu uma adorável bebé com poucos meses de idade e em que ainda estava no primeiro estádio de Piaget, na fase em que se há algo que não se vê (ou deixa de ver) então é porque não existe (refiro-me então às minhas costas e parte de trás das pernas, não visíveis directamente). Só passados uns minutos é que tenho então noção da permanência do objecto e peço para me porem protector nas costas e, a partir daí, é num ápice que dou por mim já a ultrapassar o estádio das operações formais. Mas esses poucos minutos em que decidi demorar-me mais um bocadinho no estádio sensório-motor foram o suficiente para o escaldão se formar.

Resultado: quando cheguei a casa e me virei de costas para o espelho tinha uns belos "degrades" de cima a baixo.

Para a próxima já não te armas em esperta.

O meu medo

Quando era pequena, tinha medo de ficar sozinha na savana com um leão à minha frente.

Quando era pequena, tinha medo de ser mordida por uma cobra de água quando estivesse a tomar banho no ribeiro.

Quando era pequena, tinha medo que os bullys me fizessem mal a mim, aos meus amigos ou aos miúdos mais indefesos.

Quando era pequena, tinha medo de ir à garagem sozinha porque estava escuro.

Hoje já não tenho estes medos (excepto o do leão, vá, mas a probabilidade de tal acontecer é muito diminuta).

Hoje o meu medo é eu não poder sustentar-me trabalhando na área em que me formei.

Quando vejo notícias sobre violência doméstica, fico feliz por o tema ser discutido mas tenho pena de não estar a participar mais activamente. Quando conheço projectos que promovem a inclusão, a cooperação e a não descriminação, fico feliz por haver alguém que está a fazer um bom trabalho, mas tenho pena de não ser uma dessas pessoas. Quando vejo actividades interessantes feitas com famílias, tenho curiosidade para saber como decorreu a preparação das mesmas. Quando vejo alguém a dar uma boa formação, tenho pena de sentir que vai demorar mais tempo do que eu esperava para também eu poder partilhar com outros a minha experiência.

Mas isto não é um lamento, tão pouco sequer uma conformidade com uma realidade um pouco ingrata. É apenas uma clarificação para mim mesma de que tenho que dar um pouco mais de corda aos sapatos para que possa chegar onde quero.